quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Semear bolotas ou plantar carvalhitos? Qual a melhor opção?

Já por aí andam as primeiras bolotas! Mais alguns dias ou semanas, dependendo da espécie e do local, e podemos começar a nossa safra.

Uma questão é-nos colocada frequentemente... será melhor semear as bolotas no campo ou em vasos?

A resposta depende do nosso objetivo. Vejamos...

A sementeira em vasos permite-nos seguir o processo de germinação das bolotas e o desenvolvimento dos carvalhitos. Há vantagens pedagógicas - acompanhar estes processos é motivador e possibilita a realização de algumas atividades experimentais - mas também há vantagens do ponto de vista da produção florestal. Se assim não fosse, não existiriam pequenas árvores em viveiros. O desenvolvimento inicial em vasos confere alguma proteção às jovens plantas contra condições meteorológicas e climáticas desfavoráveis, para além de evitar a ação de predadores. Dá-nos também a certeza e a satisfação, na altura de plantar, que já temos árvores num determinado local.

Este carvalhito tem três anos.
Foi plantado com cerca de um ano de idade.

Semear as bolotas diretamente no campo deixa-nos sempre um pouco mais apreensivos... será que germinarão? Serão comidas? Será um ano com humidade suficiente? Além disso, deixá-las à sua sorte nem sempre nos permite a monitorização do crescimento dos carvalhitos. No entanto, também não teremos o trabalho de semear, cuidar e transplantar, como acontece quando recorremos ao viveiro. E é muito mais fácil semear várias centenas de bolotas do que plantar algumas dezenas de carvalhos. A Natureza encarregar-se-à de traçar o destino dos carvalhitos, o que poderá dar melhores ou piores resultados.

Este carvalhito tem apenas dois anos.
Resultou da germinação de uma bolota semeada diretamente na terra.

Mas haverão diferenças no crescimento e desenvolvimento de caravalhitos semeados ou plantados?

A resposta a esta questão depende de fatores tais como as condições do local da sementeira/plantação, da presença ou ausência de predadores e, como em tudo, de muitos outros aspetos que nem sempre podemos controlar (aquilo a que vulgarmente chamamos "sorte"). Mas, de um modo geral, as árvores que se desenvolvem a partir de sementes colocadas diretamente no solo tende a crescer melhor e mais depressa.

Uma possível explicação para este facto poderá resultar do desenvolvimento das raízes. A sementeira direta permite um crescimento da raíz sem constrangimentos. Nos carvalhos - árvores de raíz muito profunda - ainda antes de se observar qualquer parte aérea já a raíz poderá ter vários centímetros (ou mesmo decímetros) de comprimento. Enquanto houver reservas nutritivas na semente, a raíz poderá atingir zonas mais profundas em busca de água e nutrientes inorgânicos, assegurando um crescimento mais rápido do pequeno carvalho. Também em épocas desfavoráveis, como a maior parte da biomassa da árvore se encontra profundamente no solo, as condições adversas superficiais não influenciarão tanto a raíz que se encontra num meio mais estável. Acresce ainda que o transplante de árvores, por mais cuidadoso que seja efetuado, provoca sempre danos nas raízes, o que retarda o crescimento da planta. Por último, o estabelecimento de associações simbióticas com outros seres vivos - nomeadamente a formação de micorrizas (associações entre as raízes e micélios de fungos existentes no solo - serão mais facilmente estabelecidas com árvores que resultaram da germinação direta de sementes na Natureza.


Este carvalhito tem cerca de três anos.
Como permaneceu em vaso, o seu desenvolvimento nem sempre foi o mais saudável.

Como comparação, as três imagens que aqui apresentamos são reveladoras do desenvolvimento dos carvalhos. Observa-se, claramente, um melhor desenvolvimento no que resultou de sementeira direta. O carvalho que permaneceu em vaso é o que se apresenta mais débil (as imagens são representativas das dezenas de carvalhos que temos nestes três condições).

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