terça-feira, 17 de outubro de 2017

Vasos para as bolotas: uma solução prática, económica e amiga do ambiente.

Obter carvalhitos de qualidade a partir da sementeira de bolotas em vasos depende de vários fatores -  seleção das espécies, das árvores, das bolotas, do tipo de solo, localização e cuidados com o "bolotário" - mas um dos mais importantes tem a ver com a escolha do recipiente.

Um excelente exemplo de uma garrafa de plástico adaptada para recipiente de sementeira.

Pode sempre optar-se por adquirir recipientes técnicos, dedicados especificamente à germinação de bolotas, castanhas e outras sementes similares, mas a nossa sugestão recai sobre a reutilização de um resíduo ambiental, as garrafas de plástico.


Os recipientes são colocados em cestos, de modo a permanecerem na vertical, e em cima de outros cestos, para que a raiz não alcance o solo.

Se o objetivo for a execussão de um  povoamento florestal, com a utilização de centenas de árvores por hectare, é mais viável a utilização de tabuleiros alveolares. No entanto, para sementeira em menor número, a reutilização de garrafas de plástico resolve três problemas de uma vez só - reutiliza-se um resíduo, não se gasta dinheiro e, (in)felizmente, em qualquer casa existem várias disponíveis (vão guardando ao longo do ano).


Na abertura central do fundo do recipiente, a raiz espreita, mas não se desenvolve para além da zona com terra.

A transformação de garrafas de plástico em vasos para sementeira é simples, basta seguir os passos seguintes:
- escolha garrafas de plástico de 500ml a 2 litros;
- corte o fundo da garrafa;
- inverta a garrafa (a rolha para baixo) e encha-a com terra até cerca de 5-6 cm do topo;
- semeie a bolota, colocando-a horizontalmente e com a parte mais aguda exatamente no centro do recipiente - deste modo, a raiz e a parte aérea desenvolvem-se no centro do vaso;
- tape a bolota com mais 3-4 cm de terra (a parte de cima da terra deverá ficar um pouco abaixo do limite superior do vaso para que a água da rega não se perca);
- regue com um pouco de água, até esta atingir a rolha;
- mantendo a garrafa invertida, retire a rolha (se a terra estiver húmida a maioria do substrato não cai neste processo);
- coloque o vaso no "bolotário", de maneira a que a abertura do fundo (onde se encontrava a rolha) não fique em contacto com o solo.

Tabuleiro alveolar para 40 sementes, com um volume aproximado de 500ml/alvéolo

Tanto os tabuleiros alveolares como as garrafas permitem o crescimento da raiz até ao início da abertura do fundo. Sem esta abertura, a raiz continuaria a crescer e enrolar-se-ia, o que debilitaria bastante o carvalhito e comprometeria a sua futura plantalção.
Assim que a raiz atinge esta abertura, a parte exposta morre por desidratação. O carvalhito começa então a produzir mais raizes na restante terra do vaso. Obtém-se então uma pequena árvore com um forte sistema radicular e com uma parte aérea correspondente ao desenvolvimento subterrâneo, o que irá aumentar o sucesso da sua plantação.
A abertura de fundo permite também escoar o excesso de água de rega e arejar as raízes, diminuindo as infeções fúngicas.

domingo, 15 de outubro de 2017

O Manual da Bolota - 20107

Publicámos este manual, pela primeira vez, em 2011, com o compromisso de o atualizar anualmente, com base nas nossas experiências e com os contributos de todos os que connosco desejam um ambiente mais rico, diversificado... e com mais bolotas!



Boas leituras... com muitas bolotas!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Este ano vamos recolher as bolotas um pouco mais cedo...

As temperaturas elevadas e a seca intensa que se fazem sentir um pouco por todo o território continental português, anteciparam a maturação de muitos frutos, incluído as bolotas.

O solo e as folhas ressequidas desta imagem revelam bem as condições de seca a que este carvalho-negral se encontra sujeito 
(fotografia tirada na Covilhã a 11 de outubro de 2017).

Este ano, aconselhamos que se faça a recolha mais cedo do que em anos anteriores pelos seguintes motivos:
- as condições meteorológicas originaram uma maturação precoce;
- a falta de água diminuiu a capacidade de produção (número de sementes), produzindo-se bolotas de menor calibre;
- os insetos parasitas (larvas) também eclodiram mais cedo;
- a menor disponibilidade de água diminuiu a produção de alimentos nos ecossistemas, pelo que as poucas bolotas disponíveis são muito apetecíveis, quer para animais selvagens, quer para rebanhos (corremos o risco de não conseguirmos apanhar quantidades significativas do solo);
- as bolotas que caem para o solo desidratam mais rapidamente, devido ao calor e à seca (e também devido às suas menores dimensões), perdendo rapidamente a sua capacidade germinativa (sementes menores desidratam mais depressa).

Nota: a recolha de sementes do solo é mais rentável após uma noite ventosa pois a vibração leva a que nas bolotas maduras o aquénio (semente) se separe facilmente da cúpula.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Querem aprender a semear bolotas?

Deixamo-vos aqui a seguinte mensagem, proveniente dos "Guardiões da Serra da Estrela":

"No proximo sábado, 14 de Outubro, terá lugar uma iniciativa para recolha e sementeira de bolotas, integrada na programação da Feira Troca a Tod@s.


De manhã haverá uma caminhada para recolha de bolotas e outras sementes de árvores e arbustos autóctones na Mata Nacional da Covilhã (zona do circuito de manutenção) que terá também como objectivo sensibilizar para os impactos do incêndio deste Verão nesta zona florestal que é de tod@s nós. O ponto de encontro será na entrada do circuito de manutenção.

À tarde terá lugar um workshop com o Prof. Jorge Carecho do projecto "Dia Mundial da Bolota" (docente da Escola Secundária Quinta das Palmeiras) que nos irá explicar como deveremos semear as bolotas e posteriormente proceder à sua plantação. Durante toda a Feira Troca a Tod@s irá ser disponibilizado o Manifesto para subscrição e no final do dia terá lugar a apresentação deste Manifesto bem como um debate em torno do tema que deu origem ao surgimento dos "Guardiões da Serra da Estrela": como promover a recuperação sustentável dos ecossistemas da Serra da Estrela.


Contamos convosco!"

Para saberem mais sobre "Guardiões da Serra da Estrela": Guardiões da Serra da Estrela (facebook)

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O nosso e-mail está novamente funcional!

Um "lapso" técnico não nos permitiu aceder ao nosso e-mail desde o passado mês de março, pelo que não pudemos responder a centenas de mensagens (e que tentaremos responder). Por este facto, pedimos desculpas.


Agora que já estamos novamente contactáveis, esperamos pelas vossas mensagens. Obrigado!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Elaboração de projetos florestais - publicação da Direção de Serviços de Valorização do Património Florestal

A Direcção de Serviços de Valorização do Património Florestal publicou, em 2002, a segunda edição do manual "Elementos de Apoio à Elaboração de Projetos Florestais".


Esta obra aborda temas tão diversos como "Planeamento da arborização", "Composição dos povoamentos florestais", "Densidades de instalação", "Distribuição das plantas no terreno", "Preparação da estação", "Plantação", "Sementeira", "Aproveitamento da regeneração natural", "Proteção das jovens arborizações", "Infra-estruturas florestais", "Fichas orientadoras dos planos de gestão" e "Principal legislação aplicável".

No site do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) podemos encontrar um link onde é possível obter esta publicação (ZIP/PDF):



quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Calma... ainda não é altura de recolher bolotas!

Este ano, em muitos locais, os carvalhos apresentam-se muito produtivos, carregadinhos de bolotas. Como o bom tempo convida a passeios campestres, poderemos não resistir à tentação de começar a recolher bolotas para semear.

 Mas a boa vontade tem que ser, por vezes, guardada para um pouco mais tarde... vejamos porquê:

- a maioria da bolotas ainda está "verde" (quer de cor, quer de maturação), pelo que tem menor capacidade germinativa e, havendo germinação, os carvalhitos formados serão menos vigorosos e menos saudáveis;

- apesar de já se encontrarem muitas bolotas castanhas (aparentemente maduras) no chão, são sementes de muito má qualidade, sem reservas nutritivas suficientes, em que a esmagadora maioria não germina ou origina carvalhitos muito débeis;

- as sementeiras efetuadas em setembro resultam, normalmente, numa grande desilusão pois as sementes ainda não estão aptas e o baixo conteúdo hídrico dos solos origina, frequentemente, uma ausência de germinação. 

Bolota aparentemente madura... não recolher pois apresenta-se pouco desenvolvida. 

Bolotas que não se devem recolher (imaturas, deformadas, pouco desenvolvidas) 

Esta bolota foi um pouco apressada... apresenta um bom calibre, mas caiu num estado imaturo.


terça-feira, 12 de setembro de 2017

Bolotas no verão

A maior disponibilidade de luz durante o verão favorece o processo fotossintético. Os compostos orgânicos produzidos são utilizados para o crescimento das plantas, quer da parte aérea, quer da porção radicular. Simultâneamente, ocorre o armazenamento de alimento nos diversos tecidos, em particular em órgãos de reserva.

Bolotinhas de um carvalho-negral no início de agosto, no concelho de Penamacor.
A cúpula da bolota encontra-se formada quase na sua totalidade, mas o aquénio, local onde se encontra o embrião e as reservas nutritivas, está ainda muito pouco desenvolvido.

As plantas também "investem" na reprodução nesta estação. Apesar da polinização ter decorrido, sobretudo, na primavera, há agora uma maior disponibilidade de alimento que pode ser transferido para estas estruturas dispersoras - sementes e frutos. 


 Bolotas de um carvalho-alvarinho no final de agosto, no concelho da Covilhã.
Apesar de ainda imaturas - o tom verde não engana - o aquénio atingiu o seu volume máximo.

Em termos nutritivos, as bolotas não deverão comportar muitos mais compostos orgânicos. No entanto, a maturação desses compostos, assim como das estruturas germinativas do embrião, poderão necessitar de mais algumas semanas para atingirem o máximo das suas capacidades. Por isso, há que aguardar um pouco mais para se proceder à sua recolha... Fiquem atentos!


Bolotas de um carvalho-negral em meados de setembro, no concelho do Fundão.
Algumas sementes (aquénios), apesar de ainda imaturas, começam a soltar-se da cúpula, caindo para o chão.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

As nossas bolotas e carvalhitos ao longo deste ano

Agora que os nossos carvalhitos estão bem viçosos, queremos partilhar convosco algumas fotografias das diversas fases.

Sementeira em novembro

Os primeiros sinais de crescimento da parte aérea, nos finais de março.

Os primeiros sinais de germinação ocorreram em janeiro/fevereiro, quando no fundo dos recipientes (que se encontram abertos) se observou o surgimento da raiz.

Em junho já apresentavam um bom desenvolvimento.



Os carvalhitos bem viçosos, em meados de julho (carvalho-negral e carvalho-alvarinho).

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Boas práticas florestais - publicação da Direcção de Serviços de Valorização do Património Florestal

A Direcção de Serviços de Valorização do Património Florestal publicou, em 2003, o manual "Princípios de Boas Práticas Florestais".


Esta obra, bastante completa, aborda temas tão diversos como a "Prevenção de Riscos Profissionais", "Preparação do Terreno", "Plantação e Sementeira", "Condução dos Povoamentos Florestais", "Exploração Florestal" e "Infra-estruturas Florestais".

No site do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) podemos encontrar um link onde é possível obter esta publicação em PDF. Alternativamente, poderão consultá-la a partir deste blog pelos seguintes links:



Boas leituras!



quinta-feira, 16 de março de 2017

Sementeiras no campo... para uma escola cheia de carvalhos autóctones.

Temos continuado o nosso trabalho de florestação de uma encosta desarborizada, dentro da nossa escola.


As bolotas, de espécies autóctones - carvalho-negral, sobreiro e carvalho-alvarinho - foram semeadas por vários grupos de alunos de turmas do 7º e 8º ano.


Só este ano, já semeámos mais de 400 bolotas nesta encosta.


Foram ensinadas técnicas de sementeira em zonas com declive, de modo a que a água da chuva que escorre possa acumular-se mais no local onde se semeou.


Daí, os pequenos "patamares", devidamente assinalados com estacas, que se podem observar nas fotografias.


Provavelmente, nem todas as bolotas semeadas germinarão e nem todos os carvalhitos chegarão à idade adulta.


No enatanto, e tal como temos observado pelas sementeiras e plantações de anos anteriores, algumas bolotas, mais persistentes e resistentes, ou talvez mais abonadas pelo solo em que foram colocadas, lá têm germinado e desenvolvido.


Agora, é "só" esparar umas décadas para termos uma floresta urbana.




quarta-feira, 1 de março de 2017

Semana da Bolota em Montemor-o-Novo: de 4 a 12 de março de 2017

Em Montemor-o-Novo vai decorrer a 2ª edição da Semana da Bolota.



Um evento a não perder!

Para saber mais, nada como ver e ouvir o vídeo promocional:


Mais alguns links com iformações:

C.M. Montemor-o-Novo

Facebook

Não faltem... e tragam muitas ideias de atividades que se podem fazer com bolotas!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Estudo de fatores de conservação da bolota doce para a alimentação humana

Devido às suas caraterísticas nutricionais, tem havido um crescente interesse na utilização de bolotas para consumo humano.

Em 2011, foi apresentada uma Tese de Mestrado em Biotecnologia, de Fabíola Matos, no Departamento de Química da Universidade de Aveiro, relativa à conservação da bolota de azinheira para a alimentação humana.

Bolotas de azinheira (fotografia retirada de https://www.flickr.com/photos/heitlinger/6731577765)

Deixamo-vos aqui o link onde poderão ter acesso a esta tese:


Para quem dispor de pouco tempo para a leitura, mas quiser saber um pouquinho mais sobre este assunto, fica aqui transcrito o resumo e a conclusão deste estudo:

Resumo:

"O desenvolvimento de um produto alimentar para o consumo humano traz vantagens ao aumentar o seu tempo de conservação, preservando as características bioquímicas, nutricionais e organolépticas que o caracterizam.

As bolotas foram aquecidas a 100ºC e 50ºC em fases de 10 minutos com troca de água entre cozeduras. As bolotas foram congeladas até a sua análise ou processamento.

Foram estudados: os polifenóis, os taninos e os açúcares totais presentes na bolota doce nas várias fases de cozedura. Igualmente foram analisadas as modificações da actividade antioxidante e da digestibilidade proteica em função do processamento.

A bolota cozida com pele a 50ºC em 2 fases de 10 minutos obteve melhores resultados para ser seleccionada para congelar a longo prazo. Apresentou baixo teor em taninos (0.1075 μg equivalentes de ácido tânico /mg) e açúcares (42.8 μg/mg), preservou uma quantidade significativa de polifenóis (5.7 μg equivalentes de ácido tânico /mg) e apresentou valores incrementados de actividade antioxidante (21.0 μM equivalentes de Trolox/mg) e de digestibilidade proteica (13.90 %).

As bolotas que apresentaram melhores características em função das análises realizadas foram utilizadas para elaborar pão, o qual foi caracterizado e submetido a uma prova de aceitação."

Conclusões:

"Através do estudo realizado verificou-se que a bolota pode ser cozida com a pele sendo suficiente 10 a 20 minutos de cozedura a 50ºC, para diminuir a quantidade de taninos, sem perda de qualidade e das características necessárias para se obter uma ideal farinha para fazer pão.

A cozedura da bolota com pele proporciona:
- um processo de remoção de taninos (0.1075 μg equivalentes de ácido tânico /mg) e de açúcares (42.8 μg/mg);
- a preservação de uma quantidade significativa de polifenóis (5.7 μg equivalentes de ácido tânico /mg) e um aumento da actividade antioxidante (21.0 μM equivalentes de Trolox /mg) de amostra seca;
- o aumento da digestibilidade proteica (13.90 %).

O facto de ser possível processar uma bolota com pele, ou seja sem o 2º descasque é um factor positivo sob o ponto de vista do processamento industrial, pois torna o processo pouco dispêndioso. Igualmente a relação tempo/temperatura de cozedura da bolota para remoção dos taninos é favorável sob o ponto de vista energético.

Após a redução dos taninos pode proceder-se à conservação da bolota por congelamento, como se faz à castanha, para posterior utilização em diversas aplicações.

De forma a conservar a bolota doce por um longo período de tempo de prateleira, pode recomendar-se o processo de congelamento, uma vez que a bolota se conservou relativamente bem em congeladores num período de 12 meses.

A prova de panificação mostra que a bolota da 2ª cozedura a 100ºC, sem pele, comportou-se de modo semelhante à bolota da 2ª cozedura a 50ºC, com pele. Estas farinhas mostraram um bom e estável crescimento do pão.

O processo de cozedura da bolota doce recomendado é apresentado na figura seguinte.


Assim a bolota congelada, é um ingrediente que pode ser usado nas mais diversas receitas da alimentação humana. Poderá fazer-se com a bolota congelada, farinha num moinho de lâminas para pão, bolo, sopa, doce, queijinhos de bolota, azevias etc."

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Os nossos carvalhitos foram "Florestar Portugal"

O movimento "AMO Portugal - Associação Mãos à Obra Portugal" promoveu, mais uma vez, uma iniciativa nacional de reflorestação do nosso território com espécies autóctones - "Florestar Portugal 2016" - que decorreu entre 19 e 27 de novembro (Florestar Portugal 2016)

Muitos dos nossos carvalhitos foram requisitados para esta (boa excelente) ação.

No concelho da Covilhã, os voluntários desta atividade plantaram várias dezenas de carvalhos-negrais crescidos no nosso bolotário, num local previligiado do Parque Natural da Serra da Estrela.





Agora é só esperar... umas quantas décadas!!!